Fraude organizacional: entre a complexidade dos riscos e a urgência de fortalecer os mecanismos de defesa 

Em um cenário global caracterizado por crescente competição, instabilidade geopolítica e complexidade regulatória, as organizações enfrentam riscos que vão muito além das oscilações de mercado. A fraude corporativa segue sendo um dos mais silenciosos, porém mais custosos, desafios para empresas de todos os setores — ameaçando não apenas resultados financeiros, mas também reputação, confiança e sustentabilidade. 

De acordo com o Occupational Fraud Report to the Nations 2024, as perdas globais por fraudes ocupacionais ultrapassam US$ 5 trilhões por ano, representando em média 5% do faturamento das organizações 

O dado revela uma realidade desconfortável: a fraude não é uma exceção, mas um risco sistêmico que exige governança, cultura e mecanismos de defesa bem estruturados. 

O novo contexto de risco: competição intensa, confiança em xeque 

Os resultados do Barômetro C-Suite 2025 da Forvis Mazars mostram que a concorrência crescente e a complexidade regulatória estão entre os fatores que mais desafiarão o crescimento corporativo nos próximos anos. 

Fraude organizacional: fatores com maior probabilidade de conter o crescimento

Em meio a esse ambiente, líderes empresariais precisam lidar com a pressão por resultados, reestruturações e transformação digital, fatores que ampliam a vulnerabilidade a fraudes se não houver uma estrutura sólida de controles e uma cultura ética disseminada. 

A tríade clássica do triângulo da fraude – pressão, oportunidade e racionalização – ganha nova dimensão nesse cenário: a pressão é intensificada por metas agressivas e volatilidade econômica; as oportunidades surgem da digitalização acelerada e da fragmentação de processos; e a racionalização é reforçada por culturas que priorizam desempenho sobre integridade. 

Mecanismos de defesa contra fraude organizacional: da prática à resiliência 

Por isso, mecanismos de defesa deixam de ser melhores práticas e se tornam chave para a resiliência organizacional antifraude. Fortalecer os mecanismos de defesa significa criar camadas integradas de prevenção, detecção e resposta, alinhadas às diretrizes do COSO Fraud Risk Management Guide e às Normas Globais de Auditoria Interna do IIA. 

As organizações mais resilientes compreendem que a gestão do risco de fraude organizacional não é responsabilidade exclusiva da auditoria, mas um esforço coordenado entre gestão, conselho e terceira linha

Governança e cultura de integridade 

A base de qualquer programa antifraude está na governança. O COSO enfatiza a importância de um tom ético estabelecido no topo, políticas de integridade e um processo de governança visível e rigoroso. Isso inclui definir tolerância zero à fraude, estabelecer responsabilização clara e incentivar a denúncia de condutas irregulares sem medo de retaliação, que pode ser implementado com política de consequência clara e objetiva, programa de integridade e campanhas de compliance. 

Auditoria interna como guardiã da confiança 

A função de auditoria interna deve atuar como catalisadora da integridade organizacional, avaliando continuamente a eficácia dos controles e a maturidade do programa antifraude. Segundo o IIA, o auditor interno não é apenas um avaliador de conformidade, mas um assessor estratégico na identificação de vulnerabilidades e no fortalecimento da governança. A análise integrada dos achados, somando percepções de diferentes auditorias e áreas, permite uma visão mais ampla da exposição e priorização de riscos de fraude. 

Canal de denúncias e resposta efetiva 

Report to the Nations evidencia que 43% das fraudes são detectadas por meio de denúncias – mais de três vezes o número identificado por auditorias ou revisões externas. Entretanto, o verdadeiro valor de um canal de denúncias não está apenas em sua existência, mas em sua credibilidade. Canais independentes, acessíveis e com processos ágeis de triagem e investigação fortalecem o sentimento de confiança e demonstram compromisso genuíno da alta administração com a ética. 

Tecnologia, dados e comportamento: o futuro da detecção da fraude organizacional 

A tecnologia redefine o papel das linhas de defesa. Soluções de analytics, machine learning e monitoramento contínuo tornam possível identificar anomalias antes que se convertam em perdas financeiras significativas. Mas, destacamos que tecnologia sem contexto humano é ineficaz: a fraude nasce de comportamento, e os algoritmos só são úteis quando orientados por uma compreensão profunda dos padrões de conduta, incentivos e vulnerabilidades da organização. 

Um ponto crítico, muitas vezes negligenciado, é o comportamento do fraudador. Estudos do ACFE (Association Of Certified Fraud Examiners) apontam que 84% dos fraudadores exibem sinais comportamentais detectáveis antes da fraude ser descoberta, como resistência a férias, estilo de vida incompatível com a renda ou atitudes defensivas diante de questionamentos. Incorporar indicadores comportamentais em programas de monitoramento e treinamento de líderes é uma das formas mais eficazes de antecipar riscos. 

Da reação à antecipação: a visão da Forvis Mazars 

No atual ciclo de negócios, marcado por incertezas e alta competitividade, a resiliência corporativa passa pela confiança. Programas de gestão de riscos e controles internos eficazes não apenas reduzem perdas, mas fortalecem a capacidade da organização de crescer de forma sustentável e ética. 

Na Forvis Mazars, acreditamos que o combate à fraude organizacional vai além da conformidade: trata-se de proteger valor, reputação e propósito. Ao combinar métodos estruturados de governança, inteligência de dados e cultura de integridade, as empresas conseguem transformar vulnerabilidade em vantagem competitiva – e seus mecanismos de controle em motores de credibilidade e crescimento. 

Conclusão: o risco invisível é o que mais custa 

A fraude raramente começa com grandes desvios. Ela nasce de pequenas concessões éticas e controles frágeis. Prevenir é, portanto, investir em confiança: nas pessoas, nos processos e na cultura. 

Organizações que compreendem isso e integram suas linhas de defesa – com conselhos vigilantes, auditorias proativas e canais de denúncia efetivos – não apenas reduzem riscos, mas consolidam um dos ativos mais valiosos em tempos de incerteza: a confiança do mercado e dos seus stakeholders.


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