“Pix parcelado” e crédito embarcado (embedded finance): como a evolução dos meios de pagamento pode impactar margens e fluxo de caixa no varejo e consumo 

O “Pix parcelado” ou formas de parcelamento via Pix vem ganhando espaço nas discussões do setor financeiro, do varejo e consumo brasileiro, por um motivo simples: a forma como o consumidor paga está mudando, e isso afeta diretamente a forma como as empresas recebem e gerenciam seu fluxo de caixa. 

Combinado ao avanço de ofertas de crédito embarcado (embedded finance), esse movimento abre uma nova frente de oportunidades e desafios para a gestão de margens, recebíveis e administração de caixa das empresas. 

“Pix parcelado” ou formas de parcelamento via PIX: O que está acontecendo  

É importante iniciar com um ponto de clareza regulatória: o Banco Central do Brasil (BACEN) decidiu, em dezembro de 2025, encerrar o processo de criação de regras específicas para uma modalidade própria de “Pix parcelado”, após sucessivos adiamentos ao longo do segundo semestre de 2025. Além de desistir da regulamentação, a autarquia proibiu que bancos e fintechs utilizem o nome “Pix parcelado”, embora denominações semelhantes, como “Pix no crédito” ou “Parcele no Pix”, possam continuar sendo usadas. 

Na prática, isso significa que o “Pix parcelado” – ou produtos equivalentes com outros nomes – continuará existindo como linha de crédito oferecida por instituições financeiras, mas sem uma padronização definida pelo regulador. Cada instituição financeira define livremente taxas, prazos e mecanismos de cobrança.  

Para o varejo e consumo, a mensagem é clara: o ecossistema de parcelamentos via Pix vai continuar crescendo de forma fragmentada, com diferentes parceiros financeiros oferecendo condições distintas – o que exige atenção redobrada na escolha de instituições financeiras parceiras, na comunicação e relacionamento com o cliente final. 

Crédito embarcado: um novo motor de receita para o varejo 

Enquanto o “Pix parcelado” ou formas de parcelamento via Pix seguem em construção, o crédito embarcado (ou embedded finance) já é uma realidade consolidada e crescente.  

embedded finance se manifesta no varejo e consumo de diversas formas: parcelamento no checkout sem redirecionamento, oferta de crédito no ponto de venda, seguros integrados no momento da compra, contas digitais de marca própria e modelos de Buy NowPay Later (BNPL), em que o cliente parcela e o lojista recebe à vista. 

O potencial desse mercado é expressivo. Análises estimam que o mercado brasileiro de crédito embarcado deve gerar R$ 24 bilhões em receita adicional até 2026, com destaque para os setores de varejo, bens de consumo e serviços. Já o mercado de BNPL (Buy Now, Pay Later) no varejo digital brasileiro movimentou cerca de US$ 4,66 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 7,43 bilhões até 2030. 

Grandes participantes de mercado já estão se movendo nessa direção, discutindo como as soluções de crédito digital deixaram de ser apenas um produto financeiro e passaram a ser um eixo estratégico na gestão de fluxo de caixa para o varejo e consumo. 

Como o “Pix parcelado” e o crédito embarcado impactam margens e a gestão de fluxo de caixa 

A combinação entre “Pix parcelado”, soluções de BNPL (Buy Now, Pay Later) e crédito embarcado (embedded finance) alteram três pilares centrais da gestão financeira para as empresas de varejo e consumo: 

  • Gestão e Antecipação de recebíveis: Quando empresas oferecem soluções de parcelamento ao cliente – seja via Pix, seja via outras modalidades de embedded finance – mas recebem o valor integral ou parte deste valor à vista, usualmente elas transferem o risco de crédito para a instituição financeira parceira. Isso preserva o caixa, mas normalmente envolve uma taxa de desconto (custo financeiro) sobre o valor antecipado. 
  • Margem operacional. Ao internalizar parte da operação de crédito, as empresas de consumo e varejo podem capturar uma nova fonte de receita, mas também assumem responsabilidades adicionais.  

    O principal ponto de atenção para empresas que oferecem crédito ou pensam em dar este passo, é a inadimplência, sendo fundamental contar com tecnologia para análise de crédito e riscos relacionados a operação. Na ausência de processos de governança e controles internos, o ganho de margem pode ser anulado pelas perdas com inadimplência. 
  • Gestão de caixa em cenário de juros elevados. O contexto macroeconômico reforça a relevância do tema. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias fechou 2025 em 49,7%, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 29,2%.  

Nesse ambiente, produtos de crédito ancorados em recebíveis tendem a ganhar relevância como alternativa de liquidez para o consumidor, o que pode sustentar o volume de vendas a prazo mesmo em momentos de redução de oferta de crédito tradicional. 

O que o varejista deve observar daqui para frente 

O “Pix parcelado” ou formas de parcelamento via Pix e a expansão de ofertas de crédito embarcado (embedded finance) indicam uma tendência consistente: as empresas de varejo e consumo estão cada vez mais próximas da operação financeira de seus clientes. Isso traz oportunidades reais de novas fontes de receita e fidelização de clientes, porém também exige: 

  • Avaliação dos diferentes modelos e produtos de “Pix parcelado” ou formas de parcelamento via Pix e crédito embarcado (embedded finance) direto ao consumidor mais adequados ao perfil do negócio e necessidade da empresa considerando sua gestão de caixa; 
  • Estruturação de governança e compliance para operações que envolvam concessão de crédito; 
  • Modelagem de fluxo de caixa considerando diferentes cenários de adoção dessas modalidades pelos clientes e seus impactos na gestão de caixa da empresa; 
  • Estruturação de controles internos e processos de forma a capturar e refletir corretamente os riscos e impactos das operações financeiras nas Demonstrações Financeiras; 

A Forvis Mazars acompanha de perto essas transformações nos meios de pagamento e seus efeitos sobre a estrutura financeira e tributária dos negócios. Fale com nosso time de especialistas para entender como essas mudanças podem impactar sua operação.